Imagem capa - Essência por Adriana Costa
Projetos

Essência

O meu país, como grande parte do mundo, passa por uma séria crise financeira. Como as pessoas estão cada vez mais ligadas ao mundo material e financeiro as consequências ao estado de espírito de muitos é enorme.


A vida moderna impõe que a felicidade esteja condicionada à fama, em fazer algo extraordinário, à riqueza, possuir bens materiais que estão na última moda, ser fisicamente perfeito e estar conectado ao que acontece no mundo de forma full time. Nada fácil, não!


Não há nada de errado nas pessoas em querer viver bem, mas o que não pode é se escravizarem física e mentalmente por objetivos vindos, muitas vezes, externos a elas.


As pessoas hoje, em sua maioria, possuem uma rotina intensa e pesada, com poucas horas para o lazer. É importante que encontrem algo, seja no próprio trabalho ou fora dele, que lhe traga prazer para que sua motivação pela vida se mantenha.


Este projeto nasceu para mostrar a importância das pessoas se despirem dos estereótipos da sociedade. A beleza está na verdade de cada um.


Mostrar o que você é, seja um profissional amante do que faz ou um amante de um hobby, de um esporte, da família. Amante de algo que te conduza na vida, no seu ser.


O importante é descobrir o amante que você é. A sua verdade, independentemente dos valores ou julgamentos externos. Aí se encontra o segredo da felicidade. Tudo que se faz com amor e dedicação leva ao crescimento e à satisfação.


Este projeto objetiva estimular as pessoas a se ligarem mais ao mundo dos sentimentos, pois pequenas ações e prazeres emocionais podem tornar a vida mais leve e boa de ser vivenciada. O simples pode ser o caminho para você se encontrar.


Iniciei o projeto comigo mesma e pessoas próximas a mim. Durante o seu desenvolvimento fui apresentada a novas pessoas que se identificavam com o meu objetivo. Sigo ainda sem data para terminá-lo, pois cada pessoa e história que conheço me mantem estimulada a prosseguir.


Seu planejamento visa, o tempo todo, a levar o observador (quem irá ver as fotos) e observado (o retratado) à introspecção, a conectar-se internamente e descobrir o quão bom é ter algo no que acreditar.


As pessoas fotografadas se encontram, em sua maioria, de olhos fechados num processo de auto-observação, como se olhassem para si mesmas. Também convidam os observadores a olharem mais profundamente para os retratados e a conectarem-se com seus sentimentos.


A cor em preto e branco ajuda a afastar qualquer distração que possa desvincular do sentimento.


O forte contraste canaliza o observador para dentro do observado e seus sentimentos.


As pessoas convidadas a participar deste projeto já possuem a sua verdade. Fazem algo com amor e são felizes por isto.


Se você ainda não encontrou a sua verdade, inspire-se nestas pessoas. A verdade não é o que a sociedade considera grande e extraordinário, mas aquilo que o fará feliz. Pode ser algo bem simples, mas é a SUA verdade.



Agradecimentos:


Deixo o meu agradecimento a todos os participantes por terem se entregado de coração aberto e acreditado no meu objetivo. À Natavia Guerra, faço um agradecimento especial, por além de ter participado do projeto, ter me ajudado na organização dos textos. Após um lindo depoimento dela acabei mudando o nome inicial do projeto “Eu e o que sou” para “Essência”:


“Acho que o que você fez foi mostrar a paixão que move cada pessoa, ou seja, o combustível de onde tiramos energia para seguir nosso caminho a cada dia. Lembrando aquela frase “O essencial é invisível aos olhos”, me fez pensar que o que você fez foi tornar o “essencial visível”. Uma frase de Mario de Andrade “O essencial faz a vida valer a pena” tem tudo a ver com seu projeto.”





Sou formada em odontologia e escolhi a odontopediatria como especialidade pelo desafio de conquistar as crianças e as deixarem seguras e tranquilas mediante o tratamento. Apesar de ter alcançado sucesso em meu objetivo, algo não me satisfazia. O fato de ficar presa em uma pequena sala me frustrava. Comecei a fotografar por hobby como uma maneira de ampliar meu horizonte. Logo esta atividade virou paixão e em pouco tempo se tornou minha nova profissão.


Desenvolvendo este projeto pude perceber com mais clareza o que tanto me atrai na fotografia. Sou uma pessoa tímida e a fotografia me dá a oportunidade de conhecer novas pessoas, conhecer suas histórias, novos lugares.


Saber contar, através da imagem, o que representa uma pessoa me emociona. A fotografia me faz enxergar além dos meus olhos. Consigo ver mais beleza em tudo e em todos. Toda pessoa e todo lugar tem algo bonito a ser mostrado.


Adoro fotografar lugares e mostrar às pessoas a beleza que elas podem enxergar. Adoro mostrar às pessoas a beleza que elas são, não física, mas um pouco da sua verdade, às vezes alguma que nem elas mesmas ainda perceberam.




Quando bebê, seus olhos vivos já demonstravam sua fome de aprender. Prestava atenção em tudo e tudo fazia com intensidade. Com 5 meses e meio já engatinhava, com 9 e meio andava e no final de 10 meses entrou para a escola.


Para uma menina que tinha tanta alegria em descobrir as coisas, escolhi uma escola cujo ensino se sustentava na experiência, na vivência e no raciocínio. Muitas aulas eram dadas no meio de uma pequena mata. A natureza era um de seus instrumentos. Aprendia-se com a prática como, por exemplo, fração em matemática compartilhando entre os colegas pedaços de melancia. Dava gosto de vê-la chegando em casa saltitante de alegria por ter aprendido tantas coisas.


A leitura lhe abriu a janela para novas experiências e desde pequena devora livros.


Para ela o estudo é um dos meios para elevar seu conhecimento. O outro é a vivência.


O estudo não se resume a escola. O melhor de tudo é o interesse e a curiosidade em saber mais, em descobrir coisas novas. Encara o estudo com seriedade, mas sem deixar de aproveitar a vida.


Suas experiências e conhecimentos vão sendo acumulados em sua memória como um pequeno livro, que, com dedicação, ficará rico em conteúdo.


Trilhando este caminho irá aos poucos preencher com satisfação as páginas brancas de sua vida que ainda estão por vir.




Desde pequena tinha necessidade de gastar energia, de se mover. Como toda mãe de menina a coloquei numa aula de balé em sua escola. Quando ia buscá-la a via na pontinha dos pés, vestida de bailarina, dependurada na grade da quadra da escola para ver os meninos jogarem futebol. Ela sempre dizia: “quero fazer aquilo ali”. De tanto ver esta cena resolvi matriculá-la no futebol, mas tivemos um problema: ela era tão pequena que não tinha idade para iniciar a aula. Assim que a completou começou a jogar; única menina entre os meninos. Sua alegria era tanta que logo contagiou outras meninas para fazerem parte do time. O time da escola passou a ser misto.


Seu interesse por futebol tornou-se tão grande que acompanha jogos de vários times e nacionalidades, conhece todas as regras e jogadores; bandeiras de todos os países e assiste, quase que diariamente, noticiários e programas relacionados a esporte.


A energia despendida ao correr atrás da bola é movida a paixão. Seu espírito é leve por praticar algo com tanta alegria.




Uma pessoa que cuida de crianças como se fossem seus próprios filhos merece ser homenageada.


Seu amor está na delicadeza de seus gestos, no carinho do seu olhar, na calma para ajudar as crianças a vencerem seus obstáculos; na firmeza e segurança que transmite. Ela entrou em nossas vidas como uma benção. Saber que seu filho está sendo bem cuidado não tem preço.


Quando nossas crianças já estavam um pouco maiores e com mais autonomia, ela engravidou. A coincidência da época em que isto aconteceu foi ótima, pois pudemos diminuir seu horário de trabalho de forma a dar-lhe tempo para ter a mesma dedicação a seu próprio filho. As crianças foram crescendo e, para que continuássemos com sua convivência, ela passou a exercer outras funções na casa. No entanto, aos poucos, percebi que exercer outras atividades a estava privando de se dedicar ao que tinha de melhor. Reduzimos mais seu tempo dedicado a nossa casa para possibilitar que outras crianças recebessem seus cuidados.


Ao começar a atender uma nova família logo pude ver o entusiasmo em seus olhos. Sua motivação é o desafio de ajudar crianças a crescerem com carinho e bons hábitos.


A cada novo trabalho ela vai disseminando seu amor.




Por necessidade abandonou os estudos aos 11 anos. Para ajudar a sustentar sua família, constituída por 10 pessoas, começou a trabalhar junto ao pai como auxiliar de pedreiro.


Na obra, o que o encantou logo de início foi descobrir como um interruptor, ao ser acionado, gerava luz para iluminar o ambiente. Sua fascinação o levou a ir atrás de desvendar este mistério. Questionava tudo e a todos, mas sempre era expulso devido a sua condição de “menino”. À medida que ia crescendo, sempre presente em cima dos projetos e ao lado dos eletricistas, conquistou os donos da obra por seu interesse, perseverança e dedicação. Encontrou na prática e na curiosidade sua escola. Aos 18 anos, já trabalhando melhor que seus companheiros, foi finalmente contratado como eletricista. Trabalhou muitos anos de 4:30h da manhã às 23h, indo de bicicleta por longas distâncias para economizar. Aos 20, já com esposa e filho, mudou-se para a capital em busca de melhores condições de vida. Trabalhando na instalação de luminárias em residências, logo chamou a atenção de uma das melhores lojas da cidade pela qualidade e eficiência de seu trabalho.


Seu guia e seu rumo; fazer tudo com interesse, da melhor maneira, buscando a perfeição; tem conquistado a fidelidade de seus clientes. O amor pelo que faz o fez crescer independentemente de seu pouco estudo escolar, compensado por sua dedicação, esforço e empenho em conhecer tudo relacionado a sua profissão.




Muito comunicativa e sempre com um sorriso no rosto, percebeu ainda muito pequena que o contato com as pessoas seria seu guia. A importância de falar outra língua para ampliar seus relacionamentos e conhecimentos sempre lhe foi uma necessidade. Aos 17 anos morou em outro país por 1 ano e ao voltar começou a trabalhar como professora de inglês. Graduou e trabalhou em várias áreas que lhe proporcionavam se relacionar com outras pessoas, como relações públicas, comunicação, publicidade e letras. A arte, outra forma de se expressar, também sempre permeou sua vivência.


Mas foi no ensino que encontrou todas as formas de expressar o que mais ama: a arte, o lúdico, a criatividade, a comunicação, o contato com pessoas, sejam adultos ou crianças.


O que a fascina é poder fazer diferença na vida de uma pessoa ao ajudá-la a se sentir mais preparada, segura e auto-confiante para prosseguir. 


Sua motivação é ver uma pessoa aprender. Gosta desta troca não só com seus alunos, mas também com os profissionais de sua área por tornar sua vivência mais enriquecedora, pois sempre que se ensina também se aprende.




Teve sua primeira filha aos 18 anos. Por sobrevivência começou a fazer salgados e vendê-los na rua. Descobriu nos desafios para tornar seu negócio mais rentável o que a fascinava. Crescer e vencer etapas tornaram-se seu norte. Com 22 anos abriu sua primeira empresa e ganhou uma licitação para administrar uma cantina de escola. A partir daí ampliou seu negócio para cozinhas de empresas e clubes oferecendo lanches, cafés e almoço. Tudo foi conquistado com muita dificuldade, mas por acreditar no que fazia enfrentava os obstáculos e seguia em frente.


O que mais gosta é de empreender e está sempre inovando. Hoje além de manter seu trabalho de contratos para gerenciar cozinhas já possui dois produtos inovadores: os mini-churros com sabores tropicais brasileiros e o creme de café; cuja inovação está em sua consistência e na forma de armazenar como congelado mantendo sua textura e sabor genuíno.


Aliar o empreendimento à culinária é para ela o que há de mais prazeroso. Alia o que gosta com o que as pessoas gostam. Sabe que a culinária remete a lembranças, seja pelo sabor ou aroma, e está presente em nossos melhores momentos.


Desde que começou a trabalhar fez questão de gerir seus negócios de forma honesta e de se envolver em todas as etapas; do desenvolvimento dos pratos e criação de sabores ao processo de atendimento e venda.


Sua firmeza e dedicação é tão grande que por admiração e confiança sua equipe se mantém a mesma desde o início.




O dom para trabalhos manuais foi herdado por ambos os lados de sua família. Tinha fascínio em ver as tias e avós transformarem a casa em um lar mais aconchegante com suas costuras, rendas e bordados que recaiam e abraçavam a tudo e a todos em sua volta. A sua maior lembrança é a sensação de carinho e conforto transmitida por esta prática.


Desde muito pequena cercava estas mulheres em suas atividades diárias para logo conseguir ter a mesma habilidade. Adorava sair do colégio e ir direto para a casa de uma de suas tias a fim de pegar os retalhos dos vestidos de noivas e fazer, tal qual sua tia fazia para as clientes, vestidos para suas bonecas. Estava sempre atenta ao que as avós faziam; tudo lhe encantava: cada renda, cada detalhe de tecido, cada vidro ou porcelana pintado à mão.


Adulta, conheceu um grupo de pessoas que faziam da prática que ela tanto gostava uma forma de fazer o bem. Todo trabalho realizado por elas é vendido em bazares e o dinheiro arrecadado utilizado para ajudar ao próximo. Hoje participa com afinco deste grupo não só na produção, como auxiliando nos projetos e obras financiadas por eles a entidades carentes.


Os trabalhos manuais estão presentes em tudo na sua vida: no lazer, no trabalho profissional, na forma de ajudar e presentear pessoas. Antes de tudo são sua terapia, sua paz.




Formou-se em psicologia. Por ter feito balé grande parte da sua vida, tinha como sonho aliar a psicologia ao movimento do corpo. Frustrada por não conseguir o que pretendia e precisando se manter financeiramente, aceitou um emprego como secretária em um banco. Após um tempo, seu corpo foi adoecendo por não encontrar um objetivo que lhe trouxesse satisfação. Ao procurar um médico para cuidar de sua saúde, recebeu entre as indicações de tratamento a prática do yoga. Ele disse a ela: “você precisa parar de pensar”. Sua intenção era apresentar-lhe a meditação pelo caminho do yoga. Nesta prática aprendeu a se olhar sem se culpar, aceitar os seus erros e reconhecer seus acertos. Finalmente encontrou o que sempre procurou: aliar a psicologia ao movimento, relacionar o corpo físico ao emocional.


Hoje, como professora de yoga, diz que seu olhar para o outro lhe trouxe uma compreensão maior de si mesma. O yoga lhe ensinou a encontrar o seu silêncio interior e através dele escutar o silêncio do outro. Segue assim sua prática trazendo luz, paz e vida para quem a compartilha, ajudando as pessoas a vivenciarem seu cotidiano com mais leveza, capacidade de amar a si mesmas e ao próximo.




A dança faz parte de sua vida desde muito pequeno. Seus pais adoravam dançar forró e seus tios viviam treinando passos para a discoteca em casa. Aos 12 anos, seu tio, DJ, o levou à matiné de uma discoteca, em um dia de campeonato de dança de rua. O contágio que as pessoas que dançavam ao palco causava na platéia o maravilhou e o fez querer vivenciar aquilo.


Numa época em que a internet ainda não existia, gravava em sua memória o que via com os dançarinos e clips na discoteca nos finais de semana e repetia, exaustivamente, em casa para aprender o que lhe parecia ser mágico. Formou um grupo de dança, ganhou alguns prêmios, mas só quando foi assistir ao festival de Dança de Joinville percebeu que para ser profissional precisava de muito mais e decidiu correr atrás. Estudou balé clássico, jazz, sapateado, dança afro, dança de salão e fez faculdade de educação física. Procurou se diversificar para se capacitar a criar algo novo, diferente, com personalidade.


Há 12 anos, quando começou a ser professor de dança de rua, iniciou, em paralelo, um projeto social para jovens em seu bairro. Pelo seu projeto já formou mais de 50 professores de dança, ganhou prêmios e mantém hoje uma média de 150 alunos.


Hoje ele ainda se impressiona com o quanto seu amor pela dança e sua entrega total a ela o fez crescer e ser uma pessoa melhor.




Para ela a verdadeira felicidade está na doação. Foi assim que acabou unindo seu trabalho como artista plástica à arteterapia.


A arte lhe foi incentivada desde muito pequena pelo seu pai, ao perceber sua habilidade. Porém, não lhe permitiu concluir a faculdade de Belas Artes, preocupado com a atitude muito liberal dos jovens nesta área. Passou a fazer Letras. Neste meio tempo seu irmão faleceu em um acidente, desestruturando sua família psicologicamente e, consequentemente, financeiramente. Teve que, além de estudar, trabalhar para sustentar a família, não sobrando tempo para dedicar a sua arte.


Quando seu filho completou um ano, resolveu retomar o que gostava de fazer e recomeçou a pintar e a dar aulas de pintura. Animada com esta retomada, criou um projeto social para ensinar pintura em tecidos e caixas às mulheres menos favorecidas da comunidade. Para ela não bastava apenas ensinar-lhes um ofício. O que amava era torná-las mais felizes e confiantes. A gratificação por ter feito o bem a tantas pessoas a fez ter como meta ajudar todos os anos alguma instituição carente por meio de seu trabalho.


A arteterapia entrou em sua vida para reforçar a questão humana tirando-lhe qualquer dúvida em trabalhar mais este lado do que o comercial. Procura fortalecer as pessoas aumentando sua autoestima. Acredita que esta vivência intensa ajudando ao próximo a aprimorou como ser humano e como artista plástica.




Desde pequena quis ser professora. Na primeira escola infantil onde começou a dar aulas conheceu o programa de inclusão. A escola que adere a este programa oferece aos alunos portadores de necessidades especiais as mesmas condições de aprender que qualquer outro aluno, dentro de um ambiente que respeita suas diferenças, sem tentar anulá-las, livre de preconceitos e capaz de estimular suas potencialidades. Descobriu aí, no trabalho com estas crianças especiais, sua verdadeira vocação.


Esta convivência teve considerável influência em sua maneira de viver. Aprendeu com eles a correr menos nos seus afazeres, a diminuir sua ansiedade, a respeitar seu tempo e o tempo dos outros, a superar seus limites.


Seu maior comprometimento é preparar estas crianças e adolescentes para conquistar seu espaço na sociedade. Torná-las capazes de serem mais independentes no seu dia-a-dia. Assim, além de alfabetizá-las, dá aulas de culinária, noções de higiene, sai às ruas para ensiná-las a se direcionar e a realizar tarefas cotidianas. Procura saber em que cada um se destaca para, junto aos pais, ajudá-los a ter alguma oportunidade profissional.


Pretende com o tempo trabalhar somente em escolas com inclusão por permitir ao aluno portador de necessidades especiais interagir com os demais e vice-versa, oferecendo a ambos a oportunidade de lidarem com as diferenças, vivenciarem um contato verdadeiro e um amadurecimento mútuo.




Pensava em ser músico. Seu instrumento principal, o violoncelo. No entanto, os acasos da vida levaram sua mãe aos 15 anos e seu destino foi mudado. Não lhe cabia mais tempo para esperar por uma faculdade. Se interessou então pelo curso de cortes de cabelo. Iniciou as aulas e decidiu praticar os cortes como estudava os instrumentos: todos os dias, repetindo exaustivamente muitas vezes, até chegar ao gesto certo. 


Descobriu uma nova vocação, mas a música ainda se via presente em suas mãos. Moviam-se com agilidade impressionante criando um novo ritmo para os fios, tal qual um maestro regendo uma orquestra. Sua performance e o resultado dela tornaram-se o seu diferencial. Tanto sucesso o encheu de coragem e, aos 16 anos, mudou-se para a capital com o intuito de se profissionalizar. 


Após 3 anos montou seu próprio negócio. Criou um corte com fios mais soltos, mais leve, incomum na época. Esta espontaneidade no corte chamou a atenção dos estilistas de moda que logo o colocaram no circuito da publicidade e desfiles de moda. Trabalhou então, excessivamente, sem tempo para aproveitar a vida. 


Quando percebeu que, além de fazer o que gosta era preciso ter qualidade de vida, voltou a se dedicar exclusivamente ao seu estabelecimento. Hoje seu trabalho já é conhecido como uma assinatura. Consegue trabalhar com tranquilidade e usufruir do prazer no que faz, tendo consciência de que isto é um dos maiores benefícios da vida.




Tudo começou quando um dia, passando pela rua, aos 22 anos, avistou um gato em condições precárias. Resgatou-o, cuidou e ao recuperar-lhe a saúde presenteou sua avó que havia perdido uns de seus gatos de estimação há pouco tempo.


Foi com sua avó que aprendeu a amar os gatos. Remetem à infância, ao cheiro doce de avó.


A partir deste evento não resiste mais ao ver um gato prejudicado na rua. Resgata-os, trata-os e os encaminha para adoção.


Faz tudo com prazer e seus próprios recursos. Muitos precisam ser internados devido a frágil condição de saúde ao serem encontrados e depois, quando estão prontos para a adoção, saudáveis e rechonchudos, ninguém acredita que são os mesmos, tão grande a diferença. São sempre dóceis como se agradecessem o carinho que recebem.


Faz também o acompanhamento pós-adoção para averiguar se estão sendo bem cuidados e recebendo o mesmo amor que ela os deu.


É um trabalho voluntário, sem nenhuma remuneração, mas que lhe traz uma enorme alegria e realização. Trabalha como relações públicas em uma empresa e também faz bolos e cupcakes decorados para festas, mas não deixa de ter tempo para se dedicar aos gatos.


A cada um que encaminha, já saudável para a adoção, tem a sensação de missão cumprida. Um prazer que vicia.